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Cadeirantes mais pobres têm menos opções de baladas acessíveis

  • Foto do escritor: Maria Beatriz Santos
    Maria Beatriz Santos
  • 1 de abr. de 2020
  • 4 min de leitura

Atualizado: 6 de abr. de 2020

Reportagem feita em 2018, com colaboração de Carolina Giorgi e Nathalia Alcoba, para a disciplina de Núcleo de Produção Jornalística VI.

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A vida noturna na capital paulista é conhecida por ser agitada e diversificada, entretanto não são todos os bares e baladas que possuem uma estrutura adequada para o público de cadeirantes, principalmente nas entradas e acessos aos banheiros. E mesmo dentre os que possuem, muitos não atendem a todas as normas. E os que atendem não raro são caros – o que acaba segregando ainda mais essa população.

A cidade de São Paulo possui cerca de 674 mil habitantes com alguma deficiência motora, segundo a Prefeitura da capital. Ao menos, 170 mil alegam grandes dificuldades de deslocamento.

Patrick Bassanelli Rodrigues, cadeirante desde os dez anos, afirma que frequenta muitas baladas na cidade, mas ainda passa por grandes dificuldades, como por exemplo, o caminho até os banheiros adaptados, a falta de rampas e a presença de pilares.


A balada que o jovem mais frequenta é a Dukke, localizada na Zona Sul de São Paulo, no bairro Vila Olímpia, que possui uma estrutura adaptada, com rampas na entrada, piso plano, elevador para o camarote. Tanto o caixa quanto o bar possuem uma parte exclusiva, na altura dos cadeirantes. Patrick destaca a quantidade de rampas – na entrada, na área do camarote, fumódromo e acesso ao palco – e conta, feliz, que já cantou no palco.

A social mídia, Ivone Gomes de Oliveira, 49, também conhecida nas redes como “Gata de Rodas”, conta que, sempre que pode, frequenta lugares como a Casa Fetichista/BDSM, o Clube de Mulheres, baladas LGBT+ e casas de shows. Porém expõe que a falta de acessibilidade causa constrangimento.  Como, por exemplo, ser pega no colo, não poder conhecer os demais ambientes que o lugar oferece, uma vez que a cadeira de rodas não passa pelas portas e até mesmo segurar as necessidades fisiológicas por falta de banheiros adaptados. “Eu sou bem recebida em todos esses lugares. Mas, dos que fui, o que considero mais acessível, é o ‘Cine Joia’, que é uma casa de show que fica no bairro da Liberdade, porque é um espaço acessível dos toaletes até o bar”, comenta Ivone. Para ela, a acessibilidade perfeita é aquela que busca atender a todo tipo de deficiência, deixando as pessoas se divertirem e tendo um acesso seguro a qualquer lugar. O cadeirante Bruno Mahfuz, após sofrer um acidente de carro em 2001, criou o aplicativo “Guiaderodas”. A plataforma colaborativa tem o objetivo de auxiliar cadeirantes a buscar lugares acessíveis pelas cidades. Além disso, permite a participação dos usuários na avaliação dos locais, através de um breve questionário onde informam as seguintes questões: existência de vagas exclusivas, condições internas como rampas, pisos planos, balcões em alturas adequadas e banheiros especiais. No aplicativo, existe uma busca por “Vida Noturna”, mostrando os locais de acordo com a localização do usuário. O estabelecimento que Patrick mais frequenta, se encontra no aplicativo como acessível, assim como o CineJoia, mencionado pela Gata de Rodas. Bruno comenta que o aplicativo já atingiu 20 mil usuários e tende a crescer. A equipe conta com um grupo terceirizado de arquitetos. O diretor de criação Leandro Menna conta sua experiência com o Guia de Rodas: “O aplicativo ajuda muito, a gente não chega ao local desprevenido, pois os usuários fazem essa avaliação justamente para que outros não tenham nenhuma surpresa desagradável de não conseguir ir ao banheiro, por exemplo, ou a mesa ser inadequada para acomodar a cadeira de rodas”. Leandro acrescenta que muitos locais entendem que acessibilidade se trata apenas de incluir barras de apoio, mas acredita que o pensamento da sociedade vem mudando e que as pessoas estão começando a se preocupar em ter estabelecimentos adequados. Para que Ivone, Patrick, Leandro e outros cadeirantes tenham o direito de frequentar qualquer tipo de estabelecimento foi criada, em dezembro de 2000, a lei n 10.098, que estabelece normais gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas com deficiência. De acordo com a assessoria de comunicação da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência, a lei federal deu origem à lei municipal 16.642/2017, que indica a forma de fiscalização e multa para aqueles estabelecimentos, recém abertos e até mesmo antigos, quanto  a critérios como piso adequado, elevadores disponíveis, banheiros exclusivos e adaptados, mesas e balcões acessíveis e rampas de acesso. A vistoria da Prefeitura é realizada por arquitetos e engenheiros da Comissão Permanente de Acessibilidade (CPA) e tem como objetivo também prestar consultoria para estabelecimentos. A deputada federal Mara Cristina Gabrilli (PSDB), 50, relatora da lei federal na Câmara dos Deputados, inclui nessa discussão a segregação de lugares acessíveis. “Esses locais devem estar espalhados em vários pontos dos estabelecimentos, não mais em áreas exclusivas e segregadas.” André Venturini, portador da síndrome Ataxia de Friedreich, cita casas noturnas, como Vila Mix e Woods, ambas localizadas na capital paulista, que possuem rampas e até mesmo elevadores. Porém, apenas para os usuários que frequentam o camarote, local separado da pista e geralmente com preço superior do restante. Quando se trata de festas universitárias, o estudante fala que a estrutura é praticamente mínima e que precisa contar muito com a ajuda de amigos para que possa frequentar os locais. A Prefeitura disponibiliza canais de denúncia no site da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência contra estabelecimentos que não cumprem as regras, como o telefone 156 ou pelo SAC através do link: https://sp156.prefeitura.sp.gov.br/portal. Lista de estabelecimentos acessíveis:Dos lugares acessíveis, isso inclui banheiros adaptados, rampas, piso adequado para cadeiras de rodas e bares/balcões em alturas específicas, comentados e frequentados pelos entrevistados, e encontrados em sites como AquiPode e GuiadeRodas, os mais completos são:

Alibeber – Rua Fernando Falcão, 1154 – Vila Claudia Telefone(11) 3554-7589 Bar da Praça – Praça Vilaboim, 65 – Higienópolis Telefone: (11) 3826-2748 Beco 203 – Rua  Augusta, 609 – Consolação, Telefone(11) 3969-0203 Boteco São Bento – Rua Mourato Coelho, 1060 – Vila Madalena Telefone(11) 3074-4389 Casa da Árvore – Av. Dr. Felipe Pinel, 305 – Vila Pirituba Telefone(11) 2924-8275 Carioca Club – Rua Cardeal Arcoverde, 2899 – Pinheiros Telefone(11) 3813-8598 CineJoia –  Praça Carlos Gomes, 82 – Sé Telefone(11) 3101-1305 Dukke – R. Funchal, 619 – Vila Olímpia Telefone(11) 3333-3302 Flexx Club –  Av. Marquês de São Vicente, 1767 – Barra Funda Telefone:(11) 3612-4402 Vila do Samba – Rua João Rudge, 340 – Casa Verde Telefone(11) 3858-6641

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